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Que me perdoem os 'BBBs' e os 'fazendeiros' da vida, mas eu gosto mesmo é de uma novela. Por que negar?
Lembro-me que ao cobrir o enterro de Janete Claire em novembro de 1983 como reporter da Globo, falei, na minha entrada ao vivo no Jornal Nacional que, ao contrário do que se poderia imaginar havia muitos homens ?noveleiros? na fila que se declararam fãs de suas novelas e estavam ali para render homenagens à sua autora preferida . Para eles Janete era a mestra dos folhetins que, muitas vezes, os fizeram chegar mais cedo do trabalho para acompanhar os capítulos finais. Janete era, sem dúvida, uma grande contadora de histórias, aquela que nos fazia torcer, rir e chorar com seus personagens como se eles fizessem parte de nossas vidas.
Mas o tempo passou e foram surgindo muitos outros novelistas. A Globo, por ser pioneira, lançou essa mania na TV e por conta disso desenvolveu tramas inesquecíveis. Quem já não acompanhou o desfecho de algumas novelas que chegaram, na época áurea de seu modismo, a dar quase cem por cento de audiência? O tempo passou depressa e, com a velocidade dele, mudou o gosto do público. E aí o jeito foi adequar a ficção à realidade, ou teria sido o contrário? Na verdade, os realiy shows surgiram pela própria necessidade das pessoas que, testemunhas de uma realidade mais dura e violenta, queriam mais ação, algo que correspondesse mais à vida como ela é.
A Record tem procurado seguir à risca essa nova tendência com produções como Poder Paralelo que mostrou os dois lados da moeda, a briga constante do mocinho e bandido que vivem ali , naquele frágil limiar do que é certo e errado, de quem é quem na história, bom ou mau de acordo com a oportunidade. Conseguiu sucesso de audiência e está buscando outras fórmulas nesse segmento.
A Globo por ter atestado de antiguidade no assunto já teve inúmeras produções desse tipo, mas ultimamente tem buscado novas receitas de sucesso misturando humor com violência, sem esquecer as traições e leviandades sempre presentes nos novelões tradicionais . Aqueles estereótipos do rico com o pobre, o bonzinho injustiçado com o malvado vilão que, cá pra nós, é sempre o mais interessante da história, não é não?
Bem, mas elocubrações novelísticas à parte, apesar de todas as críticas das quais tem sido alvo sistematicamente por parte das colunas especializadas, Manoel Carlos continua reinando absoluto como o mago do cotidiano em ?Viver a Vida? criticada até a raiz dos cabelos dos personagens! Podem até dizer que seu ritmo é abaixo do esperado, dá sono , que pelo autor entregar os capítulos em cima da hora acaba provocando cenas mais longas e monótonas na edição dos capítulos, mas que o cara consegue captar sentimentos, ações e reações das pessoas comuns e transportá-las para suas histórias, isso ele consegue como ninguém.
Bem, mas cheguei até aqui para admitir que sou noveleira mesmo, e daí? Gosto de uma história bem escrita, de ver o bom trabalho dos atores envolvidos na trama, os cuidados com a produção , o acabamento das imagens e o primor de uma bela edição ao som de uma música escolhida a dedo para mexer com a emoção do público e acabar nos fazendo parar o tempo real para curtir o da ficção.
Assisto aos capítulos no computador e confesso que estou torcendo pela história de um amor que, sinceramente, eu adoraria que existisse na vida real, o dos personagens Miguel e Luciana.
A propósito, não dá pra colocar os dois na casa do BBB?
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