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Maradona, o simpático treinador da seleção argentina, pode não ter dado sorte na Copa da África do Sul, sobretudo depois da acachapante derrota por quatro para a Alemanha, mas politicamente tem provado ser um cidadão independente e sem medo de demonstrar sua afeição pelos políticos que a direita latino e norte-americana considera personagens do eixo do mal.
Na semana que passou, Maradona foi testemunha de um fato histórico. Ele estava ao lado do presidente Hugo Chávez quando este anunciou o rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia, depois que o representante do país vizinho na OEA, Luis Alfonso Hoyos, acusou a Venezuela de municiar e acobertar em seu território 1.500 guerrilheiros das FARCs colombianas.
Para Chávez a acusação foi uma agressão, e a ele, como presidente da Venezuela, só restava ?em nome da dignidade, romper totalmente as relações diplomáticas com a irmã Colômbia?. E completou: ?faço isso com lágrimas nos olhos?.
Testemunha ocular da História, como apregoava o genial slogan do antigo Repórter Esso, Maradona mostrou que está conectado com os acontecimentos na América Latina e tem posição firmada sobre os temas mais polêmicos. Disse que o povo colombiano não tem culpa do conflito entre os dois países. E que era ?um orgulho? estar ao lado do líder do chamado socialismo do século XXI, ?porque ele lutou por seu povo, por seu país e por seus ideais?. E afirmou que se for preciso 'vai à morte por Hugo Chávez'.
Maradona perguntou a Chávez se o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, vai seguir o mesmo caminho do atual presidente Alvaro Uribe. Mostrando a intenção de buscar o entendimento, Chávez respondeu que, apesar do 'histórico conflito?, ele confia que Santos adote uma posição mais construtiva em relação à Venezuela.
Não é por outra razão que o time argentino foi considerado o mais politizado da Copa e uma boa parcela de brasileiros, deixando de lado a folclórica rivalidade Brasil-Argentina, passou a torcer pela seleção de Messi e Maradona depois da nossa eliminação pela Holanda. Mas, infelizmente, 24 horas depois a Argentina seguia o mesmo destino da equipe brasileira, a volta pra casa mais cedo.
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