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No combate ao tráfico de drogas, a polícia costuma medir o seu sucesso com base na quantidade de droga e de traficantes apreendidos. Trata-se de um sistema falho pois os agentes da lei não têm a menor idéia do total de droga produzido ou comercializado.
Eles imaginam que se prenderam mais gente e aprenderam mais droga é um sinal de que estão trabalhando bem. Sinal que os traficantes estão sofrendo com a ação da lei.
Acontece porém que apesar do aumento das apreensões é possível que a produção e o tráfico tenham aumentado no total. Isso inverteria a equação que exprime o sucesso da lei. A polícia pode ter dobrado a quantidade de droga apreendida mas se os bandidos produziram o triplo então o sucesso da polícia é proporcionalmente menor.
Será que na corrupção o mesmo raciocínio se aplica? Vamos rezar que não.
Só nesta terça-feira, a polícia anunciou a prisão de uma quadrilha de doleiros com funcionários de bancos suíços, outra de dirigentes esportivos que lavava dinheiro em jogos de futebol e uma terceira que metia a mão nas verbas do Ministério da Cultura. Trata-se de um sinal inequívoco de sucesso dos policiais. Três quadrilhas em um dia seriam 1095 quadrilhas presas em um ano (polícia trabalha sete dias por semana).
O Brasil ficaria limpo. Ou não? Eis a questão de um milhão de dólares (ou euros, como exige Giselle Bunchen em seus contratos). Melhor não falar em tanto dinheiro aqui senão já surge uma quadrilha especializada em roubar perguntas caras.
De qualquer forma o combate á corrupção sofre do mesmo problema do combate ao tráfico. Sem idéia precisa do número total de bandidos e do volume que eles roubam ou traficam é impossível saber se a polícia está ganhando ou perdendo. Sabemos que a polícia tem prendido como nunca mas também sabemos que os caras estão roubando como sempre.
Faltam-nos, entre tantas coisas, um sistema que nos permita ganhar batalhas de causas perdidas. Se tivessemos certeza absoluta que os corruptos estão perdendo a guerra teríamos motivos para festejar todas as prisões que a polícia anuncia. Hoje, ficamos em cima do muro.
No mesmo dia em que a polícia prendeu três quadrilhas a justiça encontrou motivos para soltar 43 policiais militares do Rio, suspeitos de ligações ilegais com o tráfico. O juiz que os libertou certamente teve motivos legais para tal ação (e esta coluna não se considera competente para discutir a decisão pois sequer teve acesso ao processo, além de não ser do ramo).
Para a sociedade porém fica a dúvida atrás da orelha. Estamos ganhando a guerra contra a corrupção? ou apenas dando três passos para frente e 43 para trás?
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